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Endividamento e descrédito institucional. A conta chegou, Gafanhoto Vermelho , Lula

A mudança no STF e a resolução de parte dos problemas financeiros passam, necessariamente, por um Executivo forte.

pesquisa Genial-Quaest divulgada nesta quarta-feira, 11, deverá cair como as bombas americanas sobre o Irã na cabeça dos petistas. 

Mas, antes de abordar a nova amostragem do instituto mineiro – do atleticano Felipe Nunes que, como eu, anda meio bravo com o Galo mais lindo do mundo – gostaria de chamar a atenção dos leitores para outros fatos tão ou mais importantes que, seguramente, impactaram o resultado do levantamento.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80.2% das famílias brasileiras estão endividadas. 

Atenção! Não se trata de mero detalhe estatístico. É um retrato social. 

Quando oito em cada dez lares carregam tantas dívidas e inseguranças, as pessoas deixam de discutir emprego, renda, impostos, escala 6×1 e passam a discutir o boleto que vence na segunda-feira.

Nesse ambiente, o humor coletivo se transforma em depressão profunda. 

A inflação percebida no supermercado, no açougue, na farmácia, na escola dos filhos, no posto de gasolina, enfim, traduz-se em rejeição na veia. 

Com o cartão de crédito estourado, juros nas alturas e o salário curto, uma atmosfera de frustração permanente paira sobre governantes e instituições. 

Daí, juntando crise econômica com corrupção e impunidade, o eleitor não procura culpados. Procura saídas.

Erosão institucional

Nesse cenário, a política institucional começa a pagar a conta. Pesquisa Meio/Ideia mostra que 70% da população consideram o Supremo Tribunal Federal (STF) a instituição de Estado mais abalada pelo escândalo do Banco Master.

O dado é relevante porque revela algo além de um episódio específico: mostra gigantesco desgaste acumulado. 

Quando o sistema de Justiça e, especialmente, o tribunal constitucional do país passa a ser percebido como parte importante do problema – e não mais como possível solução – o sistema inteiro perde a estabilidade.

Por certo, não é um fenômeno isolado nem exclusividade brasuca. O país já viveu inúmeros outros momentos de erosão institucional e outros países, também. 

O padrão é sempre o mesmo: desconfiança crescente, disputa política radicalizada e sensação difusa de que as regras do jogo deixaram de ser claras e justas.

Lula perde tração

No campo eleitoral, o impacto finalmente começa a aparecer nas pesquisas. 

O levantamento Genial-Quaest citado acima confirma a tendência de alta da desaprovação do governo Lula, com crescimento da insatisfação entre eleitores classificados como independentes.

O dado mais incômodo para o Palácio do Planalto aparece em outro recorte. 

Mesmo entre os brasileiros de menor renda – público que supostamente seria beneficiado pela proposta de isenção do Imposto de Renda – a aprovação do governo não cresceu.

O desenho político, portanto, é o oposto do observado alguns meses atrás, quando Lula (PT) parecia caminhar com relativa tranquilidade para a reeleição.

O paradoxo Bolsonaro

Em meio a esse cenário, surge um paradoxo curioso. Flávio Bolsonaro (PL) aparece competitivo como jamais esteve em simulações eleitorais. 

Ao mesmo tempo, trata-se justamente do adversário que o lulopetismo prefere enfrentar em um eventual segundo turno.

O cálculo político é simples: a polarização mobiliza as duas bases e reduz o espaço para alternativas. 

Essa lógica tem dominado a política brasileira desde 2018. Dois campos antagonistas se alimentam mutuamente. Um precisa do outro para sobreviver eleitoralmente.

Daqui para frente, iremos assistir a uma escalada ainda maior de agressividade e confronto mútuos entre Lula e o bolsokid número 1. 

Será um tal de mensalão pra cá, de rachadinha pra lá. Daniel Vorcaro se tornará o “amigo de fé irmão camarada” dos dois e a roubalheira do INSS igualmente será espetada em lombos recíprocos. Sabem como é, né? 

Em casa onde falta o pão, todo mundo grita e ninguém tem razão. Se todos são acusados de ser ladrões, então todos estão perdoados.
Uma janela que se abre

O enfraquecimento simultâneo de governo e instituições cria um espaço raro na política: uma janela para candidaturas alternativas. Contudo, o mesmo espaço se oferece para um “outsider” tirânico. 

Há exemplos diversos pelo mundo: Erdogan, na Turquia, Duda, na Polônia, Orbán, na Hungria.

Entre os nomes que aparecem como alternativa democrática e com competitividade estão Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná, Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, embora este último declare preferência pela reeleição estadual e apoio a Flávio Bolsonaro.

Dentro desse grupo, Zema foi o nome que mais cresceu nas pesquisas recentes entre os pré-candidatos de oposição fora do núcleo bolsonarista. 

Isso importa porque Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. 

Chico Bento (apelido carinhoso que alguns mineiros dão ao governador), portanto, pode ser o “fiel da balança” – como cabeça de chapa ou, ainda, como vice de Ratinho ou de Flávio.
Anti-lulopetismo

As simulações eleitorais indicam algo que se tornou estrutural e já sabido: todos esses nomes são competitivos em um eventual segundo turno contra Lula, o que revela que o anti-lulopetismo continua sendo a maior corrente política organizada do país, ainda que dispersa entre diferentes lideranças e projetos.

O problema é que parte significativa desse eleitorado ainda está aprisionada na lógica da polarização e não enxerga – ou não quer enxergar – a necessidade de uma terceira via.

É justamente aí que aparece o dilema brasileiro. De um lado, um governo desgastado, pressionado por economia fraca e crises institucionais. 

De outro, um campo oposicionista fortemente associado ao bolsonarismo.

Perderemos outra oportunidade?

Entre esses polos existe um espaço político real – e crescente! – ocupado por eleitores que rejeitam ambos. 

As pesquisas mostram com extrema clareza o tamanho (cerca de 1/3) dos chamados “nem-nem” ou “isentões”. São dezenas de milhões de brasileiros, cansados de extremistas petistas e bolsonaristas.

Se o país quiser sair do ciclo repetitivo de radicalização, alguma forma de terceira via precisará se consolidar. 

Não como discurso publicitário de campanha, mas como projeto político real, capaz de disputar poder de verdade. 

Mas não adianta vontade e intenção. É necessária uma bandeira que desperte – literalmente! – o eleitorado de centro.

Sem isso, o Brasil continuará girando em torno da mesma engrenagem: crise econômica, desgaste institucional e uma polarização que impede qualquer reconstrução duradoura. 

A mudança no STF e a resolução de parte dos problemas financeiros passam, necessariamente, por um Executivo forte, democraticamente eleito e verdadeiramente capaz. Aí reside o nosso maior problema.

Fonte: https://oantagonista.com.br/analise

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