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Ligação de facções brasileiras com Al-Qaeda é alvo de operação no Paraná e outros três estados

Uma operação realizada nesta manhã de quarta-feira, 15 de julho, apura ligações de facções criminosas com grupo terrorista Al-Qaeda. 

22 pessoas foram denunciadas.

Destas, 10 são alvos de mandados de prisão em Foz do Iguaçu, no Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além de mandados de busca e apreensão.

A operação é realizado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e visa desarticular um esquema de lavagem de dinheiro de facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo. 

Segundo a Polícia Civil fluminense, o esquema movimentou mais de 100 milhões provenientes da venda de drogas ilícitas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), entre 2021 e 2024.

A operação batizada de Hawala cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e na cidade paranaense de Foz de Iguaçu, região da tríplice fronteira do Brasil com Paraguai e Argentina. 

O MPRJ denunciou 22 pessoas à Justiça, que, por sua vez, expediu mandados de prisão contra dez delas.

Até o início da manhã desta quinta-feira, oito pessoas já tinham sido presas na operação, de acordo com a Polícia Civil.

Esquema de lavagem de dinheiro no Rio

A investigação começou a partir da descoberta do esquema de lavagem de dinheiro do grupo criminoso que controla a venda de drogas no Complexo de São Carlos, na região central do Rio de Janeiro, afiliado ao TCP.

Com o aprofundamento das investigações, os policiais descobriram que o esquema também era usado para lavar dinheiro de grupos criminosos ligados ao CV e ao PCC.

Empresas de fachada eram usadas em diferentes estados para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido ilegalmente através do tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados.

De acordo com a denúncia, para inserir os recursos de origem ilícita no mercado financeiro, o esquema usava empresas recém criadas, depósitos fracionados, uso de laranjas, cooptação de contadores, além de outras manobras para ocultar a origem dos valores.

Foram analisadas centenas de transações bancárias e as atividades de diversas empresas ligadas aos denunciados, com movimentações muito acima da capacidade financeira dos investigados e das pessoas jurídicas envolvidas.

Conexão internacional com Al-Qaeda

A Polícia Civil investiga ainda se o esquema de lavagem de dinheiro era usado para financiar organizações internacionais consideradas terroristas. 

As investigações identificaram uma relação comercial entre um dos investigados e um homem sancionado pelo governo estadunidense por supostamente integrar a estrutura de financiamento da Al-Qaeda.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação agora aprofundará a apuração sobre esse suposto vínculo entre o esquema de lavagem de dinheiro de facções criminosas brasileiras e o financiamento do terrorismo internacional.

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