O resultado das urnas mostrou que uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro não está disposta a aceitar passivamente os rumos impostos pela velha política.
E esse resultado deveria provocar uma profunda reflexão em Brasília — no Palácio do Planalto, no Congresso e também no Supremo Tribunal Federal.
Ministro não é eleito. Ministro não recebe voto. Ministro exerce uma função constitucional.
Por isso mesmo, quanto maior o poder institucional, maior deve ser a responsabilidade, a prudência e a distância de disputas políticas.
Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Cristiano Zanin, como integrantes do STF, precisam compreender que críticas à atuação da Corte fazem parte da democracia.
Questionar o Supremo não é atacar a democracia.
Ao contrário: uma democracia madura precisa permitir que cidadãos questionem decisões, discordem de ministros e debatam os limites do poder.
O problema começa quando o cidadão passa a enxergar as instituições como protagonistas da disputa política.
E o recado das urnas foi justamente este:
O eleitor quer ser ouvido.
Não cabe ao Judiciário substituir o eleitor. Não cabe a ministros definir os rumos políticos do país. Não cabe a nenhuma instituição imaginar que está acima da sociedade.
Lula pode ter seus apoiadores.
O STF pode ter suas decisões.
Os ministros podem ter suas convicções.
Mas a palavra final sobre quem governa o Brasil pertence ao eleitor, dentro das regras constitucionais.
É preciso respeitar o voto.
É preciso respeitar a liberdade de expressão.
É preciso respeitar o contraditório.
E, acima de tudo, é preciso respeitar os limites entre os Poderes.
O Brasil não precisa de salvadores.
Precisa de instituições fortes, independentes e equilibradas.
Precisa de Justiça sem favoritismo.
Precisa de política sem tutela.
Precisa de democracia sem medo.
E precisa entender que nenhum homem público — presidente, ministro, deputado ou senador — é maior do que a Constituição e maior do que o povo brasileiro.
As urnas falaram.
Agora é hora de Brasília ouvir.
Porque quando o povo perde o medo de falar, nenhum poder consegue silenciar para sempre a sua voz.
Olho Vivo Laranjeiras — opinião, informação e debate sobre o Brasil.


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